A ansiedade aos olhos da Ansiedade

Mãos suadas. Dor de cabeça. Meu olho esquerdo parece querer saltar do meu rosto, como o da Noiva Cadáver, daquele filme do Tim Burton.

Pés suados. Mais mãos suadas. Uma gota de suor escorre pelas minhas costas até encontrar um espaço confortável na curva da minha cintura. Pernas balançando, incansavelmente.

Está tudo bem, não é mesmo? Você sorri, você tem tudo o que quer na vida. Tem amor, tem família, tem felicidade, tem beleza.

Aparentemente, está tudo bem, não é mesmo?

Não, não está tudo bem. Como você pode ser feliz com um corpo desse, sem um namorado há mais de dois anos, sem estabilidade financeira? Aposto que ele te deixou por você não ser boa o suficiente. Provavelmente sua tia acha que você tem interesses estranhos e não quer mais que você pise lá.

Mãos suadas. 

Aparentemente, todo mundo tem ansiedade. ‘’É frescura de adolescente, coisa de gente que quer chamar atenção.’’ Uma hora, passa.
Então, porque você sente uma dor estranha no peito e não consegue respirar? Será que você não vê que ninguém está se importando?

Mãos suadas.

Você tem pessoas do seu lado, amigos. Pessoas que se importam com você, que te amam.

Amigos? Que amigos? Ninguém gosta de você. Ninguém quer alguém com tantos problemas e tão irritantes quanto você.

Mãos suadas.

Mãos suadas sob a sua consciência, rasgando o seu interior de dentro para fora, silenciosamente. Mãos suadas tampando sua boca, te impedindo de gritar o quanto você está sentido dor, o quão isso é insuportável. Mãos suadas comandando uma vida baseada na bonificação e no aproveitamento que tiraram de ti. Ser bom não é o suficiente, nem ser o melhor. Você é um estranho, na qual suas entranhas sentem nojo de estar dentro de você. Nenhuma droga irá funcionar, nenhum remédio irá te acalmar. Nenhuma palavra irá desmentir o que você pensa.

Mãos.

Texto escrito por Katarine Calado

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