Mais do mesmo

Mais do mesmo

Mais do mesmo

Houve uma violação na calada da noite
Relaxe, não foi de cofre ou de casa… mas foi de açoite
No corpo e na alma de uma moça
Que teve sugada sua força
Foi na Rua Três Quartos
E em três quartos ouviu-se o grito de desespero
História impactante, final chocante (pra quem?)
Em cômodos diferentes, reações diferentes
Incômodos não sentiam os violadores
Não viam maldade no que haviam feito
Efeito do efeito silenciador:
“Foi por instinto”
E extinto estava o sentimento de humanidade naqueles indivíduos
Porque não era com suas mães, suas irmãs ou suas filhas
Era com alguém que estava pedindo por aquele ato

Nas manchetes que estampavam os jornais,
Leitores estampavam os motivos pra tal brutalidade
Você pensa: “São assassinos doentes” ou “São frutos de nossa cultura machista”
Ele dispensa: “Ah, mas ela tava de short curto, pediu por isso”
Ela repensa: “Ah, mas ela tava numa boate, pediu por isso”
E, no fim de tudo, tais pensamentos não compensam: os abusadores estão soltos
E presa está a vítima: deitada no chão de uma rua sem saída, com os resquícios de lágrimas escorrendo pelo seu rosto pedindo uma saída
De todo esse sofrimento
“Se eu for a última estatística existente, pode me levar…
Mas se eu for a continuação dela, por favor, não me deixe aqui…”
E então, com suas roupas espalhadas pelo chão frio, deu seu último suspiro…
Apesar de ser a continuação, não teve sua súplica atendida
E, infelizmente, ali ficou estendida
Até que a encontrassem…
A história impactante, no final, não impactou muita gente
O final chocante, no início, não chocou muita gente
Afinal, as estatísticas se acumulam e aparentemente tornou-se“normal” escutar casos de estupro.
Mas qual o motivo de tudo isso?

Acredite, não é a roupa curta. Não é a ida à boate. Não é porque ela pediu por isso.
É a cultura machista em que vivemos. Não adianta negar; os homens, em grande parte, são “ensinados” a tratarem as mulheres como objetos, como posses, como se elas existissem apenas para satisfazê-los… e a esquecerem que elas são seres humanos. Você deve rejeitar essa situação não porque não quer que aconteça com sua mãe, irmã ou filha, mas sim porque são seres humanos de que estamos falando. Enquanto essa cultura permanecer, as estatísticas permanecerão também. E, por incrível que pareça, a vítima será culpada.

E o culpado, solto.

Por Miguel Araujo

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